quarta-feira, 23 de setembro de 2009

In the subway, I was observing a bunch of teens texting their life away in cell phones and I thought of a bunch of issues related to our present times. It started with the invention of telegraphs, everyone: the world since then - and particularly nowadays - is ever more virtual. We make skype calls, we text a lot, use our cell phones, our email accounts, woah! We spend most of our time each day in front of a virtualizing gadget. Life does not happen in the present anymore, and that's because we are in a different time, place and "mind". In other words, the three dimensions of the present, namely temporality, spatiality, and "mind dimension".
The virtualization of the world is taking us far from the minutes we are actually living, from the place we physically are (this afternoon I was crossing the streets and texting, without being aware of my surrondings - a car accident could easily happen...) and from the connection of these both through our mind, since we are always thinking about something else - appointments, deadlines, grades. This too takes us away from the here and now. It's becoming increasingly difficult to answer "where are you?" when asked; imagine "who are we? Where do we come from? Where are we going?". Such a shame for philosophy.
Humans in the present are gradually substituting their concrete/physical ways of relating to each other to more virtual ways. Kids are playing games that actually simulate relationships (The Sims); virtual social networks are literally everywhere. People often live in the same house but don't talk to each other.

Is this increasing virtualization a form of Social Virtual Capital? Does it have the same inherent neutrality that the traditional Social Capital concept has? Can we use it for health promotion/disease prevention? Can we manage somehow to be free from those trends of virtualization, or it's something that we have to adapt and learn to live with?
Many questions. Few answers. Don't mind if no one responds. After all, virtualizations don't substitute real conversations.

Alê

domingo, 12 de julho de 2009

Marina da Glória (Cais Nobre)


Quero uma vida de cais
onde as tardes alaranjadas
refletem-se na água

quero uma vida de cais
leve balanço
ouvindo os marulhos preguiçosos

quero uma vida de cais
com seus barcos de nome engraçado
dormindo em espera.

Mas...

Quero uma vida de mar também
sem pressa, sem motores
muito vento

quero uma vida de mar
onde minhas mulheres entendam
a necessidade de partir

quero uma vida de mar
sem fundeadouros, espias
nada.

Quero viver e morrer de mar
preamar de sizígia
para então morrer de amor
na melancolia da baixamar

amsc - 09/07/2009

domingo, 5 de julho de 2009


Às Moiras Cloto, Láquesis e Átropos

“Poesia é desfiar o dia”


Hoje tive uma estranha sensação

algo que já carregava há tempos

mas que só agora percebi estar dentro...

senti a vida sem mim


mares cartografados de cabo a rabo

onde eu brinco de fingir que escolho –

senti a vida sem mim


conversei fora a angústia existencial

do caminho que não é meu, que só parece;

– Onde já se viu?! Jogar a vida cumprindo tabela

em um mundo onde tudo é decidido por mim?


Ah! quero o peso da caneta verde na mão

traçando linhas, sorrisos!

Quero a tinta que picha meu possível

saindo da minha caneta

e não de parcas porcas que só sabem fiar

mas não sabem desafiar o tempo.

Elas entendem de corte e costura

porém nada de poesia...

assim,

com a fiação do meu destino;

a partir de hoje eu escrevo

– e prescrevo –

os meus caminhos.


AMSC - 04 & 05/07/1983-2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Chocolate Quente

Para o poeta Daniel Laks (obrigado)

Sono-solidão, poema em construção.
Banco verde, rodoviária imensa
cheia de chão, brilhos e fartas mudanças
dormindo pelos cantos.

- Um chocolate quente pra viagem, por favor

E todos precisamos de um pouco de nós
só nós
para nos sentirmos.
Onde eu estava, meu deus?

Música atordoante, que vontade de fazer a minha
uma canção perfeita antes de envelhecer
tudo que eu queria...
Mas não sou bom para sons e silêncios
sou apenas um bando de ecos
poesia
(...ia... ia... ia)
pena pouca que não dá conta.

...O chocolate quente esfria no clima de São Paulo...

O que eu faço com este sentimento todo
comprimido dentro de mim?
Parece que some
na Billie Jean que principia
e nas famílias que vão e vem sem fim.

...O chocolate agora é frio como a espera de São Paulo...

Sem querer me redescobri gente
na madrugada da garoa paulista
mas foi por tão pouco
tão pouco...
só o tempo do chocolate quente esfriar

domingo, 14 de junho de 2009

Marinharia

Nós que trançam tramas, sonhos, trapaças, destinos.
Não quero cabos ou amarras.
Quero tuas mãos hábeis nos meus cabelos.

Nós que somos nó embaixo da mesa,
embaixo dos panos, embaixo de tudo,
baixo.
Balde chutado escada abaixo!
Nós que seguram na medida tênue da segurança da vela,
estufa o peito, arde!

Andrada abre os braços dos teus mares!
Salta pois que o abismo é certo, como é farto o colo da sereia.
Nós e a arte de ser nós.
Nós e a alma inquieta e louca que sai na rua bêbada de mar,
e rota de poesia.

Nós e certo calor, que vêm sei lá de qual tormenta?!
Nós, apenas nós, silenciosos nós e a vastidão do tempo que tarda.
Nós e qualquer nota tirada de uma viola embriagada, nós.
Nós e um verso falso jogado a esmo,
largado ao léu, um verso torto, dito de supetão e de revés,
um verso que não deveria ter sido achado, uma sentença.

Somos nós, sinto muito. Somos nós, demasiado nós!

Lobo do Mar

Te amo, te sinto, te falto.
Meu barco não tarda nesse porto,
meu tempo é sobressalto.

vou indo (de novo).

Por isso não amo inteiro;
a contravento navego
Todos os anos, com o mar cheio.

Lobo do mar sente enjôo em terra firme.

AMSC - 14/06/2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Soulman (comunhão)

Para Maestro Silvio Barbato & José L. Santana


Começo meio filósofo,
com medo de ser chato:
quando a arte encontra sua maior expressão?

Bom, não é fácil de entender não
até difícil de explicar
mas tento: é quando.

Quando comunica para além de bons ou ruins ordinários
para além de estéticas, simetrias, feiúra
- ou mesmo técnica.

É quando na liberdade. No sublime. No cagar pra expectativas;
onde tudo flui, onde tudo e todos fluem,
acontece. Delicada e raramente, acontece!

Então comunicamos a alma humana
e o mundo comunga.
Cuidado! Qualquer dissonância lava longe o milagre.


AMSC- 02/05/2009